31 dezembro, 2024
Fim do ano 2024
08 outubro, 2024
Aristocracia: Duas cidades em comum, Recife e São Lourenço da Mata
Após as eleições e a divulgação dos resultados, percebe-se que a política brasileira mantém seu caráter tradicional, especialmente nas cidades de Recife e São Lourenço da Mata. Em São Lourenço da Mata, o prefeito Vinícius Labanca foi reeleito com 88,39% dos votos, enquanto em Recife, João Campos foi reconduzido ao cargo com 78,11% dos votos. O que une as famílias Labanca e Campos é a longa tradição no cenário político e a filiação ao mesmo partido.
Essas duas famílias já estão preparando a próxima geração para ocupar cargos políticos em breve. Em São Lourenço da Mata, o filho do atual prefeito, Vinícius Labanca, já começa a aparecer em eventos, conforme a imagem abaixo:
Esse ato pode ter sido intencional ou não, mas é através de mecanismos como esse que se constrói uma identidade visual. Segue-se a lógica do ditado: "Quem não é visto, não é lembrado".
Além disso, Lucca Labanca, primo de Vinícius, assumirá o cargo de vice-prefeito a partir de janeiro. Ele foi escolhido com uma estratégia clara: em dois anos, nas eleições para presidente, governador, deputados e senadores, Vinícius deixará o cargo de prefeito para concorrer ao posto de deputado. Com isso, a gestão municipal passará para as mãos de seu primo, garantindo a continuidade do poder dentro da família e reforçando os laços de perpetuação política.
No mesmo movimento de perpetuação familiar, surge Camila Albanez, prima de Vinícius Labanca, eleita vereadora e destacada como a segunda mais votada entre os parlamentares municipais. Recife segue um modelo semelhante de sucessão familiar na política. Além de João Campos como prefeito, seu irmão, Pedro Campos, exerce o cargo de deputado federal. Agora, durante o processo de reeleição, surge José Campos, filho de Eduardo Campos e irmão de João e Pedro, fazendo suas primeiras aparições em atos políticos do PSB no interior.
Nada na política acontece sem significado, mesmo que simbólico. Assim como em São Lourenço da Mata, o prefeito de Recife, João Campos, também se prepara para deixar a prefeitura e concorrer ao cargo de governador em 2026. Com isso, o vice-prefeito eleito, Victor Marques, que tomará posse em janeiro de 2025, assumirá a gestão municipal.
Diante desse cenário, é possível especular que a construção da imagem de José Campos está em andamento, com vistas a uma candidatura a deputado em 2026 ou, quem sabe, à prefeitura de Recife em 2028. Assim como em São Lourenço da Mata, onde o filho mais velho de Vinícius Labanca pode também estar sendo preparado para um futuro político.
Portanto, além de questões de raça e renda, o que essas famílias compartilham é o capital social, político e econômico que lhes permite influenciar e moldar o cenário político e perpetuar na política e continuar sendo aristocrata.
Para entender mais esse cenário deixo os seguintes conteúdos:
- Santos, M. C. As razões do sucesso da “vibe” de João Campos - Marco Zero Conteúdo. Marco Zero Conteúdo Disponível em:. https://marcozero.org/as-razoes-do-sucesso-da-vibe-de-joao-campos/
- Tavares, V. (2024, October 6). João Campos reeleito no Recife: o segredo do jovem prefeito “tiktoker” que conquistou quase 80% dos votos. BBC. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4glvjkd098o
- YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EaO61N4ffcc&ab_channel=AtilaIamarino>.
- Campos, Coelho, Lyra, Urquiza, Ferreira, Tércio: cientista político alerta que lógica familiar coloca o Estado a serviço de interesses particulares; assista. Disponível em: https://www.brasildefatope.com.br/2024/09/26/campos-coelho-lyra-urquiza-ferreira-tercio-cientista-politico-alerta-que-logica-familiar-coloca-o-estado-a-servico-de-interesses-particulares-assista
29 julho, 2024
A desvalorização dos cursos de licenciaturas através dos cursinhos de pré-vestibular na lógica capitalista
Na lógica capitalista, a desvalorização dos cursos de licenciatura é um fenômeno complexo que muitas vezes é exacerbado pela ênfase dada aos cursos de pré-vestibular, especialmente na preparação para cursos de maior prestígio social, como medicina e direito. Essa desvalorização é alimentada por diversos fatores, incluindo a pressão social e familiar para que os estudantes busquem profissões consideradas mais prestigiosas e lucrativas, bem como a percepção de que os cursos de licenciatura são menos importantes ou menos valorizados pela sociedade.
Além disso, a desvalorização dos cursos de licenciatura também está ligada à forma como a educação é estruturada dentro da lógica capitalista. A educação é frequentemente vista como um produto a ser consumido, e os cursinhos pré-vestibulares são vistos como uma forma de investimento para garantir um retorno financeiro futuro, ao passo que os cursos de licenciatura são percebidos como menos rentáveis e menos promissores em termos de retorno financeiro.
É importante ressaltar que o desejo de seguir carreira em medicina muitas vezes não é um sonho orgânico, surgido naturalmente do estudante, mas sim um sonho projetado e construído pelos responsáveis, pela sociedade e pela mídia. A medicina é frequentemente retratada como a profissão ideal, com alta remuneração, status social elevado e a capacidade de salvar vidas, o que contribui para a sua maior visibilidade e prestígio em comparação com outras profissões, como a docência.
Essa valorização desproporcional de determinadas profissões em detrimento de outras contribui para a desvalorização dos cursos de licenciatura, que são fundamentais para a formação de professores capacitados e engajados. A falta de reconhecimento e valorização dos profissionais formados em licenciatura pode desestimular estudantes talentosos e comprometidos a seguir carreira no magistério, o que pode ter impactos negativos na qualidade da educação oferecida.
Salienta-se que os cursos de tecnologia estão superando os cursos de medicina e direito como os mais concorridos e a Universidade Federal de Pernambuco já comprova isso, pois as três maiores notas de corte foram dos cursos de sistemas da informação (802,49), ciência da computação (801,38) e engenharia da computação (794,25).
Logo, é necessário repensar a forma como a educação é valorizada e percebida na sociedade. Isso inclui reconhecer a importância dos cursos de licenciatura na formação de professores de qualidade e garantir que esses profissionais sejam devidamente valorizados e remunerados pelo seu trabalho.
17 julho, 2024
Da perfomance da área jurídica e o apagamento da personalidade humana
Durante algum tempo, venho pensando sobre o meu papel dentro da carreira jurídica e, a cada dia que passa, sinto que essa área não me pertence. Sabe aquela sensação de que você está em um local que não é apropriado e que não condiz com sua realidade? Bom, é isso o que eu sinto.
Ao olhar para o campo jurídico, refletir e questionar tantas coisas que ele produz e perpetua, ainda é o desejo de não querer estar perto. Sinto que essa área é um espaço que propaga a desigualdade, que não representa a população brasileira, um espaço de disputa de ego, individualidade e arrogância.
Ao analisar essa área, sinto que ela molda o ser humano ou quem está nela; ou melhor, ela poda (no sentido de cortar mesmo), pois essa área não foi projetada para corpos iguais ao meu ou semelhantes. Esse podar está no sentido da forma que as pessoas se vestem (uma vestimenta de origem europeia que não condiz com o clima do Brasil), poda ainda na forma de falar (apagando as variações linguísticas de uma nação que teve influências de vários dialetos e exige uma linguagem que nem brasileira é, de forma erudita e rebuscada) e poda ainda na forma de se comportar (já que essa carreira foi projetada, elaborada ou criada - entenda como quiser - para um tipo de corpo específico, o padrão que a sociedade “normalizou” e que todos nós conhecemos, vulgo branco, cis e heteronormativo).
Além disso, ela foi projetada para que os cargos de grande importância e relevância social para a sociedade brasileira fossem assumidos pelas dinastias de povos estrangeiros ou de famílias brasileiras que continuam com a prática do nepotismo e aristocracia.
Além disso, a carreira de advocacia vem sofrendo com a precarização e exploração que o sistema capitalista vem impondo nos últimos tempos. Além da carreira profissional ou do trabalho, o ensino vem sendo sucateado no setor privado. Cabe destacar que o Brasil é o país com a maior quantidade de cursos jurídicos do mundo.
Agora, quero fazer uma ressalva com base nos relatos que vivencio e troco com colegas de diversas áreas (cursos) das universidades públicas. O ensino de alguns cursos, como o de direito, sofre com um problema de solidariedade, empatia e falta de noção da realidade pelo corpo docente. Eu sei que, infelizmente, a nossa forma de aprendizagem está muito centrada ainda no modelo positivista, onde o professor fica na frente, as cadeiras enfileiradas e os alunos apenas escutam e concordam.
O que ocorre é que, dentro das salas de aula, onde deveria ser um espaço de trocas, pois ao mesmo tempo que o professor ensina ele também aprende, conforme Paulo Freire fala no seu livro "Professora, sim; tia, não – Cartas a quem ousa ensinar", em muitos locais torna-se um espaço de opressão, traumatização e medo. O corpo docente jurídico, tanto de faculdades públicas quanto privadas, têm uma disputa de ego no sentido de ser o senhor e detentor do conhecimento, com os alunos e ficam brigando entre quem sabe mais.
Fico me perguntando ainda o que dá a capacidade ao ser humano de ensinar ao outro se ele não tem preparo nenhum para lecionar e não compreende nada do que realmente é educação. Sou bem crítico da situação em que, no Brasil, a pessoa com mestrado, especialização ou doutorado está plenamente capacitada para exercer a docência. Claro, há exceções de professores que compreendem essa realidade, mas estou aqui escrevendo de forma geral, não vamos generalizar.
Dar aula não é simplesmente chegar em um local e apenas falar, mas é se preparar, organizar e executar a aula do jeito que estava programada. É ter um começo, meio e fim. E, para além disso, precisa-se fazer uma leitura dos corpos que estão ali. O mundo acadêmico tende a ser muito cruel com os discentes que tiveram um ensino básico afetado.
A academia tende a igualar a forma de interpretar e a compreensão dos alunos de forma igual, porém sabemos que, em determinados cursos, a trajetória de vida dos alunos é de formas distintas. Por mais que, no curso de Direito, nas universidades públicas, ainda se tenha uma composição majoritária de alunos que têm a mesma classe social e estrutura de ensino semelhantes, ainda tem aquela minoria que se faz presente, por mais que ela seja “excluída ou ocultada”. Ela está ocupando aquele espaço e não se pode fingir que ela não existe.
Acho que por hoje foi isso e acredito que, em breve, haverá mais outro desabafo. Expresso o que estou sentindo no momento e gosto de compartilhar. Quero destacar que não escrevo para agradar alguém, pois não sou Jesus nem outra entidade religiosa para agradar alguém.
03 junho, 2024
Quem tem medo da greve?
Antes de poder explorar a questão da greve nacional da educação que está ocorrendo tanto com os Técnicos Administrativos da Educação quanto com os professores, quero que leiam a seguinte frase do livro ABC do Socialismo, organizado por Bhaskar Sunkara, Aline Klein e Victor Marques, e reflitam.
“A luta de classe muda as ideias e os preconceitos das pessoas e forja novos laços de solidariedade na classe. Lutas da classe trabalhadora tendem desempenhado um papel central na conquista de vários corpos oprimidos na luta contra um opressor comum”
Desde o dia 11 de março, os Técnicos Administrativos da Educação (TAE’s) das universidades, institutos e colégios federais entraram em greve, e posteriormente, a partir do dia 15 de abril, os docentes também deflagraram greve, unindo-se aos TAE’s em prol de melhores condições de trabalho. No dia 11 de junho, os TAE’s completarão três meses de greve, e os professores completarão dois meses no dia 15 de junho. Cabe destacar que os TAE’s constituem uma das categorias com o pior piso e teto salarial do funcionalismo público federal.
Durante este período, ocorreram negociações com o Governo Federal, especificamente com o Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), resultando em duas propostas para os docentes e técnicos. No entanto, nenhuma dessas propostas atendia aos interesses das duas categorias, pois não previam nenhum reajuste salarial para este ano, algo que ambas as categorias estão reivindicando durante esta greve.
Ao longo deste período de greve, diversos mecanismos de desmobilização e encerramento da greve foram impostos a essas categorias pelo sistema capitalista e pelo Governo Federal. Esses mecanismos variam desde a circulação de pensamentos que questionam o motivo da greve, gerando conflitos internos entre as classes, até estratégias de negociação separadas para diminuir a força conjunta dessas duas categorias.
Ao acompanhar toda essa situação, deparei-me com comentários chocantes entre alunos, professores e a sociedade em geral nas postagens das redes sociais dos sindicatos. Isso inclui xingamentos, desmoralização dos docentes, questionamento da produção de conhecimento e outras ofensas pesadas.
Afirmar que essas propostas contemplam essas categorias é não ter noção da realidade e da importância dessas categorias para o desenvolvimento social, político e econômico do país. Dizer que o salário dos professores é suficiente é inadmissível. Como pode um(a) professor(a) com graduação, mestrado, doutorado ou pós-doutorado receber menos de 13 mil reais? Como podemos aceitar que um professor com duas graduações e pós-doutorado receba menos de 6 mil reais? Este é o caso de um docente com contrato temporário na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), como se pode verificar no portal da transparência.
Cabe destacar a disparidade de conhecimento e salarial entre duas categorias do funcionalismo público: juízes necessitam apenas de uma graduação em Direito e três anos de prática jurídica, além de outros requisitos não tão exigentes, e têm piso salarial de 30 mil reais. No entanto, sabemos que um juiz frequentemente recebe muito mais que o piso, às vezes com remuneração dobrada, diferente de um professor que, para tentar se igualar ou se aproximar desse piso, deve dedicar muitos anos ao serviço público e envolver-se em diversas atividades além de suas atribuições básicas.
Salienta-se que as três categorias (PF, PRF e PP) obtiveram um reajuste significativo este ano sem necessidade de greve, o que é bastante estranho, não é?
Chega a ser paradoxal os discursos proferidos pelos progressistas e até mesmo pela esquerda sobre a educação ser a transformação de realidades, de pessoas e de um país, enquanto a cada ano a educação se torna mais precarizada e entregue ao setor privado. Isso inclui a retirada de recursos públicos que deveriam ser investidos na educação pública, mas estão sendo destinados ao setor privado.
Isso foi comprovado na tese de doutorado de Fernanda Cosme da Costa, intitulada “FIES, PROUNI e PROIES (2003/2009): valorização do capital no ensino superior”, onde foi relatado que entre 2015-2023 o orçamento para o ensino superior público foi de 287 bilhões, comparado a 446 bilhões destinados ao ensino superior privado. A cada dia, a educação é mais atacada, seja pela precarização do trabalho dos professores, pelas péssimas condições de infraestrutura dos locais de trabalho ou pela falta de recursos para o funcionamento das instituições.
Outra crítica que chega a ser extremamente ridícula é dizer que o momento agora não é adequado para a greve. Diante disso, eu questiono: existe algum momento adequado para deflagrar uma greve? Se esperarmos pelo momento ideal, ele nunca chegará.
Além disso, outro ponto a ser questionado durante este momento de greve é o silêncio ensurdecedor dos progressistas e da esquerda brasileira. Até o momento, não vi pessoas de notória influência política juntarem-se à causa das categorias e exigirem do Governo Federal uma solução, nem vi cobertura na mídia nacional, controlada pela burguesia.
Durante a época eleitoral, uma das estratégias do Presidente Lula foi afirmar que a educação seria prioridade, atraindo votos do campo acadêmico. Contudo, chega 2024, após um ano e seis meses de gestão, e a educação não está sendo priorizada, com professores e TAE’s indo a Brasília exigir condições mínimas para trabalhar. Se a educação fosse realmente prioridade, não teríamos greve neste momento, nem docentes e TAE’s em Brasília negociando. O discurso é retórico, mas a materialização não existe.
A greve consiste em um movimento político onde uma determinada classe trabalhadora se une através de seu sindicato para reivindicar melhores condições de trabalho. Logo, a greve nacional da educação federal reflete e prova que a educação brasileira está em decadência, evidenciada pela precarização da mão de obra dos trabalhadores, das infraestruturas das universidades e pela falta de recursos para manutenção e funcionamento das instituições.
Ao analisar e observar toda essa situação, parece-me que essas categorias que estão reivindicando melhores condições não são valorizadas pelo Estado. É colocar essas categorias contra a própria sociedade e dizer que o que estão fazendo é birra. É pegar toda a mão de obra, esforço e conhecimento produzido e jogá-los no lixo. A educação não é prioridade em nenhum momento, exceto na época eleitoral. É lamentável tudo isso que estamos passando e desejo força aos docentes e técnicos administrativos da educação.
07 março, 2024
Resenha do Livro O Perigo de Uma História Única
O livro "O perigo de uma história única" é uma adaptação de uma palestra dada por Chimamanda Ngozi Adichie no TED Talk em 2009. Adichie, escritora negra, nigeriana e feminista, aborda em suas obras uma mistura de ficção e realidade, compartilhando reflexões significativas. Este é o 2° livro que leio dela, o 1° em 2021 e o 2° agora em 2024.
A leitura desencadeou reflexões sobre como a construção da história permeia desde o ensino básico até o superior, destacando a importância de termos cuidado ao ouvir apenas uma narrativa.
Do direito:
No momento em que estava lendo, comecei a refletir sobre a importância de nós, futuros juristas, sabermos e procurarmos sempre ouvir os dois lados da história. Por mais que, às vezes, um lado não seja nada agradável, temos que estar dispostos a conhecer o outro lado da moeda. Ao não termos esse cuidado, podemos nos prejudicar e coordenar alguém ou alguma situação por não termos ouvido ambas as perspectivas.
Do social:
A história contada nas escolas sempre é apenas vista de um lado - lado esse que conhecemos bem, do ponto de vista do ocidente. Em diversos momentos da história do mundo, pode-se perceber que há várias deturpações contadas desde o ensino básico ao ensino superior. O quanto isso apaga a história de um povo e sua cultura não está no gibi, e esse processo chamamos de epistemicídio.
Adichie traz uma fala que se torna atual até os dias de hoje, por mais que tenham se passado anos, "A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos não é que sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história."
Ao ler isso, lembrei-me de toda a fase do meu ensino básico, onde a história da África sempre foi contada de uma visão única. A África que eu conheci na escola foi retratada como uma região pobre, onde as pessoas passam fome e morrem diariamente. Ao entrar na faculdade, tive a oportunidade de adquirir conhecimento mais amplo e descobri que a África não se resume a isso; ela tem uma rica história, cultura, intelectuais e prosperidade financeira. Ao refletir sobre isso, surge a necessidade de questionar como a educação ainda está fortemente voltada para a visão do branco, europeu e do ocidente, e a importância de quebrar essa "hegemonia."
Ao abordar o ensino superior, quero destacar que, infelizmente, em algumas áreas, há a perpetuação da história eurocêntrica.
Adichie instiga a repensar a hegemonia na educação, destacando a necessidade de superar a visão eurocêntrica, especialmente em algumas áreas do ensino básico ao superior.
Recomendo a leitura a todos, pois proporciona um conhecimento enriquecedor e questionador.
06 fevereiro, 2024
Raquel Lyra e Álvaro Porto: possível impeachment da governadora do estado de Pernambuco?
01 janeiro, 2024
Carteira de Estudante Gratuita: saiba quem tem direito e como solicitar
Estudantes entre 15 e 29 anos inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) têm direito à emissão gratuita da Carteira de Identificação Estudantil (CIE). O documento garante meia-entrada em eventos culturais e pode ser solicitado pela internet.
O benefício é assegurado pela Lei Federal nº 12.933/2013, que regulamenta o acesso à meia-entrada em cinemas, shows, teatros e eventos esportivos em todo o país.
De acordo com o Governo Federal, a isenção da taxa é concedida aos jovens que possuem o ID Jovem ativo, programa voltado à ampliação do acesso da juventude de baixa renda à cultura e ao lazer.
O que é a Carteira de Identificação Estudantil (CIE)?
- Meia-entrada em eventos culturais e esportivos
- Descontos em cinemas, shows e teatros
- Acesso a políticas públicas voltadas à juventude
Quem tem direito à carteira de estudante gratuita?
- Ter entre 15 e 29 anos
- Possuir renda familiar mensal de até dois salários mínimos
- (R$ 3.242,00 em 2026)
- Estar inscrito no Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico)
- Ter o ID Jovem válido
O que é o ID Jovem?
- Meia-entrada em eventos culturais
- Gratuidade ou desconto no transporte interestadual
- Isenção da taxa da carteira de estudante
Como emitir o ID Jovem?
- Estar inscrito no CadÚnico
- Ter dados atualizados nos últimos 24 meses
- Ter entre 15 e 29 anos
Como emitir a Carteira de Estudante gratuita
1- Passo - Solicitação no site
- Documento de identificação (RG, CNH, RNE ou passaporte)
- Foto estilo 3x4
- Comprovante de vínculo estudantil
- (declaração da instituição ou boleto de mensalidade emitido em 2026)
2- Passo - Escolha o boleto
No momento do pagamento:
Escolha boleto bancário
Não efetue o pagamento
3- Passo - Anote o número da solicitação
4- Passo - Envio do e-mail para isenção
sae@documentodoestudante.com.br
Assunto do e-mail:
Isenção Carteira de Estudante
Corpo do e-mail (modelo):
Prezados(as), boa tarde!
Solicito a isenção da taxa da carteira de estudante. Todos os documentos foram anexados no site e as informações preenchidas também. Conforme solicitado, segue em anexo o ID Jovem e o RG.
N° de Solicitação: xxxxxxxx
Anexe os seguintes documentos:
- ID Jovem
- Documento oficial com foto (RG ou CNH)
5- Passo - Aguardar retorno do DNE
Após o envio do e-mail, você poderá receber:
Um e-mail confirmando que o pedido está em análise e que tem prazo de análise de 2 a 5 dias úteis
Outro solicitando reenvio dos documentos, caso necessário
⚠️ Observação: o segundo e-mail pode não chegar, isso é normal.
6 - Passo - Finalização do pedido
Após a validação:
Se tudo estiver certo, você receberá um e-mail informando que o processo foi finalizado e, se for deferido, poderá concluir a solicitação
Acesse novamente o site do DNE
Altere a forma de pagamento
O valor do pedido aparecerá como R$ 0,00
Finalize a solicitação
Aguarde a entrega da carteira de estudante no endereço cadastrado
Pronto!
Após esse processo, sua Carteira de Identificação Estudantil será enviada gratuitamente para sua residência.
04 dezembro, 2023
Resenha do livro Eu Odeio os Homens: Um desabafo de Pauline Harmange
O livro "Eu Odeio os Homens: Um desabafo", escrito pela autora Pauline Harmange e ativista feminista, publicado no ano de 2021 no Brasil. É uma obra provocativa e polêmica que destaca uma perspectiva singular sobre as relações de gênero. A autora aborda temas sensíveis à feminilidade, poder e desigualdade, apresentando uma visão crítica sobre o papel histórico e contemporâneo dos homens na sociedade.
Antes de tudo, é bom informar que esse livro incomodou tanto aos homens que tanto a autora como a editora foram acusadas de incitar ódio contra homens por um assessor do Ministério de Igualdade de Gênero da França que ameaçou de mover uma ação criminal e solicitou que removesse os livros da comercialização.
Pauline Harmange inicia o livro com um desabafo franco, mergulhando nas complexidades das dinâmicas do gênero. A autora não tem medo de expressar sua raiva e frustração, oferecendo uma abordagem visceral que desafia as normas convencionais. Sua linguagem é direta e, por vezes, provocativa, convidando os leitores a refletirem sobre as estruturas de poder existentes.
O livro conta com 9 capítulos curtos, e possivelmente, em 5 horas de leitura ou menos, o leitor consegue terminá-lo. A introdução começa com a autora explicando o motivo da escrita do livro e como ela se sente em relação aos homens, destacando a horrível natureza do patriarcado.
Posteriormente, a autora desenvolve o conceito de misandria, algo que eu não tinha a mínima ideia do que era, mas foi interessante descobrir e entender a perspectiva da autora. Misandria, em resumo, refere-se à raiva das mulheres contra os homens, ao contrário do conceito machista. Paula ainda discute como alguns homens afirmam ser feministas, mas não desconstroem ou renunciam aos seus privilégios, utilizando isso para se aproveitarem das mulheres, algo que conhecemos como "ESQUERDO MACHO".
Uma das coisas que mais me chamaram atenção neste livro é que, após a autora iniciar seu desabafo, ela explica a situação de seu relacionamento com o marido, contextualizando o seu modo de vida para evitar ser chamada de hipócrita. Isso é fantástico, pois quem tiver mente aberta entenderá a autora.
Um capítulo muito interessante e que foi fundamental para a construção do meu conhecimento sobre o feminismo e como as mulheres se sentem diante desse movimento é "Deixe a raiva das mulheres rugir". Este capítulo aborda as emoções das mulheres e sua situação de vulnerabilidade em relação aos homens, assim como a percepção da sociedade sobre isso. Acho que esse trecho pode exemplificar melhor esse entendimento da sociedade e de como ela molda os homens:
“A raiva dos homens é espetacular. Ela se manifesta às vezes em gritos, e em pancadas contra objetos materiais, na maior parte dos casos - mas nem sempre,as inúmeras mulheres que apanharam do marido são testemunhas. Em suma, a raiva dos homens é repleta de agressividade. Estimulamos os rapazes a sentir raiva - é sempre melhor que chorar como uma garotinha - e revidar.”
Além disso, há outro capítulo maravilhoso, que é 'Médiocre como um homem', o qual explica como nossas atitudes enquanto homens são bem vistas na sociedade. Por mais que façamos o mínimo, e às vezes nem isso, temos um prestígio diante da sociedade. Não temos a mesma cobrança que uma mulher tem; não somos questionados ou descredibilizados da mesma forma que as mulheres. É impressionante como a sociedade considera algo surreal quando um homem realiza tarefas domésticas ou vai buscar o filho na escola, enquanto as mulheres desempenham essas atividades todos os dias, sem receber o mesmo reconhecimento que os homens.
Esse capítulo me fez refletir sobre minhas atitudes e mudá-las, pois não adianta eu pregar algo e não fazer. O quão hipócrita eu seria.
Ao longo da narrativa, a autora explora várias facetas das relações entre homens e mulheres, desconstruindo estereótipos e questionando normas condicionais. Suas análises são fundamentadas em sua perspectiva pessoal, mas também incorporam ideias feministas mais amplas, provocando uma reflexão profunda sobre o feminismo..
A força do livro reside na capacidade de mexer com o leitor ao ponto de confrontar suas próprias opiniões e preconceitos. No entanto, é importante observar que algumas partes do livro podem ser consideradas extremas para alguns leitores, o que pode gerar reações variadas.
Portanto, a obra “Eu Odeio os Homens: Um desabafo” é uma leitura que incita o debate e desafia as convenções sociais. A autora não busca consenso, mas sim provoca reflexões sobre as estruturas de poder que moldam as relações de gênero. Este livro é uma obra intensa e provocativa que certamente deixará os leitores reflexivos. Essa é uma obra que entrou para os melhores livros lidos no ano de 2023 e favoritos. 5/5
18 outubro, 2023
Resenha do Livro "Como ser um Educador Antirracista" de Bárbara Karine
“não foi de uma mulher negra, de uma mulher, de uma pessoa trans, de um homem que fosse afeminado, de uma criança ou um idoso, de um corpo com deficiência ou de um corpo gordo, mas o que foi mostrado é o corpo de um homem branco cisgênero adulto em idade economicamente ativa, com estética de “machão”, com pênis destacado, corpo atlético e sem deficiência”(Carine, 2023, p. 118)
(...) possamos assumir com afeto o compromisso de sermos “doadores de memórias” que socializam os conhecimentos sistemáticos historicamente desenvolvidos pelo coletivo para as novas gerações, visando a formação humana desses sujeitos, mas que compreendem de maneira fundamental o papel crucial da nossa profissão na construção de uma sociedade mais justa igualitária. (Carine, 2023, p. 149).
Currículo Lattes: por onde começar?
Ao ingressar na universidade, muitos estudantes se deparam com termos que ainda parecem distantes da realidade acadêmica, como iniciação c...
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O livro “Como Ser um Educador Antirracista”, escrito pela autora Bárbara Carine e publicado no ano 2023, tem como objetivo apresentar cami...
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Hoje tive um choque que me fez refletir bastante e voltar ao 1º período do curso de Ciências Sociais na UFPE. Em uma conversa com uma a...



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