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08 outubro, 2024

Aristocracia: Duas cidades em comum, Recife e São Lourenço da Mata

      


      Após as eleições e a divulgação dos resultados, percebe-se que a política brasileira mantém seu caráter tradicional, especialmente nas cidades de Recife e São Lourenço da Mata. Em São Lourenço da Mata, o prefeito Vinícius Labanca foi reeleito com 88,39% dos votos, enquanto em Recife, João Campos foi reconduzido ao cargo com 78,11% dos votos. O que une as famílias Labanca e Campos é a longa tradição no cenário político e a filiação ao mesmo partido.

      Essas duas famílias já estão preparando a próxima geração para ocupar cargos políticos em breve. Em São Lourenço da Mata, o filho do atual prefeito, Vinícius Labanca, já começa a aparecer em eventos, conforme a imagem abaixo:



Crédito: Reprodução Instagram (@vinicius_labanca)

      Esse ato pode ter sido intencional ou não, mas é através de mecanismos como esse que se constrói uma identidade visual. Segue-se a lógica do ditado: "Quem não é visto, não é lembrado".     

      Além disso, Lucca Labanca, primo de Vinícius, assumirá o cargo de vice-prefeito a partir de janeiro. Ele foi escolhido com uma estratégia clara: em dois anos, nas eleições para presidente, governador, deputados e senadores, Vinícius deixará o cargo de prefeito para concorrer ao posto de deputado. Com isso, a gestão municipal passará para as mãos de seu primo, garantindo a continuidade do poder dentro da família e reforçando os laços de perpetuação política.

      No mesmo movimento de perpetuação familiar, surge Camila Albanez, prima de Vinícius Labanca, eleita vereadora e destacada como a segunda mais votada entre os parlamentares municipais. Recife segue um modelo semelhante de sucessão familiar na política. Além de João Campos como prefeito, seu irmão, Pedro Campos, exerce o cargo de deputado federal. Agora, durante o processo de reeleição, surge José Campos, filho de Eduardo Campos e irmão de João e Pedro, fazendo suas primeiras aparições em atos políticos do PSB no interior.

      Nada na política acontece sem significado, mesmo que simbólico. Assim como em São Lourenço da Mata, o prefeito de Recife, João Campos, também se prepara para deixar a prefeitura e concorrer ao cargo de governador em 2026. Com isso, o vice-prefeito eleito, Victor Marques, que tomará posse em janeiro de 2025, assumirá a gestão municipal.

      Diante desse cenário, é possível especular que a construção da imagem de José Campos está em andamento, com vistas a uma candidatura a deputado em 2026 ou, quem sabe, à prefeitura de Recife em 2028. Assim como em São Lourenço da Mata, onde o filho mais velho de Vinícius Labanca pode também estar sendo preparado para um futuro político.

      Portanto, além de questões de raça e renda, o que essas famílias compartilham é o capital social, político e econômico que lhes permite influenciar e moldar o cenário político e perpetuar na política e continuar sendo aristocrata.



Para entender mais esse cenário deixo os seguintes conteúdos:

- Santos, M. C. As razões do sucesso da “vibe” de João Campos - Marco Zero Conteúdo. Marco Zero Conteúdo Disponível em:. https://marcozero.org/as-razoes-do-sucesso-da-vibe-de-joao-campos/

- Tavares, V. (2024, October 6). João Campos reeleito no Recife: o segredo do jovem prefeito “tiktoker” que conquistou quase 80% dos votos. BBC. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4glvjkd098o

-  YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=EaO61N4ffcc&ab_channel=AtilaIamarino>. 

- Campos, Coelho, Lyra, Urquiza, Ferreira, Tércio: cientista político alerta que lógica familiar coloca o Estado a serviço de interesses particulares; assista. Disponível em: https://www.brasildefatope.com.br/2024/09/26/campos-coelho-lyra-urquiza-ferreira-tercio-cientista-politico-alerta-que-logica-familiar-coloca-o-estado-a-servico-de-interesses-particulares-assista





03 junho, 2024

Quem tem medo da greve?


     Antes de poder explorar a questão da greve nacional da educação que está ocorrendo tanto com os Técnicos Administrativos da Educação quanto com os professores, quero que leiam a seguinte frase do livro ABC do Socialismo, organizado por Bhaskar Sunkara, Aline Klein e Victor Marques, e reflitam.

“A luta de classe muda as ideias e os preconceitos das pessoas e forja novos laços de solidariedade na  classe. Lutas da classe trabalhadora tendem desempenhado um papel central na conquista de vários corpos oprimidos na luta contra um opressor comum”

     Desde o dia 11 de março, os Técnicos Administrativos da Educação (TAE’s) das universidades, institutos e colégios federais entraram em greve, e posteriormente, a partir do dia 15 de abril, os docentes também deflagraram greve, unindo-se aos TAE’s em prol de melhores condições de trabalho. No dia 11 de junho, os TAE’s completarão três meses de greve, e os professores completarão dois meses no dia 15 de junho. Cabe destacar que os TAE’s constituem uma das categorias com o pior piso e teto salarial do funcionalismo público federal.

     Durante este período, ocorreram negociações com o Governo Federal, especificamente com o Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI), resultando em duas propostas para os docentes e técnicos. No entanto, nenhuma dessas propostas atendia aos interesses das duas categorias, pois não previam nenhum reajuste salarial para este ano, algo que ambas as categorias estão reivindicando durante esta greve.

     Ao longo deste período de greve, diversos mecanismos de desmobilização e encerramento da greve foram impostos a essas categorias pelo sistema capitalista e pelo Governo Federal. Esses mecanismos variam desde a circulação de pensamentos que questionam o motivo da greve, gerando conflitos internos entre as classes, até estratégias de negociação separadas para diminuir a força conjunta dessas duas categorias.

     Ao acompanhar toda essa situação, deparei-me com comentários chocantes entre alunos, professores e a sociedade em geral nas postagens das redes sociais dos sindicatos. Isso inclui xingamentos, desmoralização dos docentes, questionamento da produção de conhecimento e outras ofensas pesadas.

     Afirmar que essas propostas contemplam essas categorias é não ter noção da realidade e da importância dessas categorias para o desenvolvimento social, político e econômico do país. Dizer que o salário dos professores é suficiente é inadmissível. Como pode um(a) professor(a) com graduação, mestrado, doutorado ou pós-doutorado receber menos de 13 mil reais? Como podemos aceitar que um professor com duas graduações e pós-doutorado receba menos de 6 mil reais? Este é o caso de um docente com contrato temporário na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), como se pode verificar no portal da transparência.

     Cabe destacar a disparidade de conhecimento e salarial entre duas categorias do funcionalismo público: juízes necessitam apenas de uma graduação em Direito e três anos de prática jurídica, além de outros requisitos não tão exigentes, e têm piso salarial de 30 mil reais. No entanto, sabemos que um juiz frequentemente recebe muito mais que o piso, às vezes com remuneração dobrada, diferente de um professor que, para tentar se igualar ou se aproximar desse piso, deve dedicar muitos anos ao serviço público e envolver-se em diversas atividades além de suas atribuições básicas.

     Salienta-se que as três categorias (PF, PRF e PP) obtiveram um reajuste significativo este ano sem necessidade de greve, o que é bastante estranho, não é?

     Chega a ser paradoxal os discursos proferidos pelos progressistas e até mesmo pela esquerda sobre a educação ser a transformação de realidades, de pessoas e de um país, enquanto a cada ano a educação se torna mais precarizada e entregue ao setor privado. Isso inclui a retirada de recursos públicos que deveriam ser investidos na educação pública, mas estão sendo destinados ao setor privado.

     Isso foi comprovado na tese de doutorado de Fernanda Cosme da Costa, intitulada “FIES, PROUNI e PROIES (2003/2009): valorização do capital no ensino superior”, onde foi relatado que entre 2015-2023 o orçamento para o ensino superior público foi de 287 bilhões, comparado a 446 bilhões destinados ao ensino superior privado. A cada dia, a educação é mais atacada, seja pela precarização do trabalho dos professores, pelas péssimas condições de infraestrutura dos locais de trabalho ou pela falta de recursos para o funcionamento das instituições.

     Outra crítica que chega a ser extremamente ridícula é dizer que o momento agora não é adequado para a greve. Diante disso, eu questiono: existe algum momento adequado para deflagrar uma greve? Se esperarmos pelo momento ideal, ele nunca chegará.

     Além disso, outro ponto a ser questionado durante este momento de greve é o silêncio ensurdecedor dos progressistas e da esquerda brasileira. Até o momento, não vi pessoas de notória influência política juntarem-se à causa das categorias e exigirem do Governo Federal uma solução, nem vi cobertura na mídia nacional, controlada pela burguesia.

     Durante a época eleitoral, uma das estratégias do Presidente Lula foi afirmar que a educação seria prioridade, atraindo votos do campo acadêmico. Contudo, chega 2024, após um ano e seis meses de gestão, e a educação não está sendo priorizada, com professores e TAE’s indo a Brasília exigir condições mínimas para trabalhar. Se a educação fosse realmente prioridade, não teríamos greve neste momento, nem docentes e TAE’s em Brasília negociando. O discurso é retórico, mas a materialização não existe.

     A greve consiste em um movimento político onde uma determinada classe trabalhadora se une através de seu sindicato para reivindicar melhores condições de trabalho. Logo, a greve nacional da educação federal reflete e prova que a educação brasileira está em decadência, evidenciada pela precarização da mão de obra dos trabalhadores, das infraestruturas das universidades e pela falta de recursos para manutenção e funcionamento das instituições.

     Ao analisar e observar toda essa situação, parece-me que essas categorias que estão reivindicando melhores condições não são valorizadas pelo Estado. É colocar essas categorias contra a própria sociedade e dizer que o que estão fazendo é birra. É pegar toda a mão de obra, esforço e conhecimento produzido e jogá-los no lixo. A educação não é prioridade em nenhum momento, exceto na época eleitoral. É lamentável tudo isso que estamos passando e desejo força aos docentes e técnicos administrativos da educação.

06 fevereiro, 2024

Raquel Lyra e Álvaro Porto: possível impeachment da governadora do estado de Pernambuco?

(Lucas Patrício, 2024)


Primeiramente, quero prestar toda minha solidariedade a Raquel Lyra, que, nesta semana, passou por uma violência política(machismo). Infelizmente, a politica brasileira ainda é predominantemente ocupada majoritariamente por homens que tende a proteger os seus semelhantes(homens) e realizarem a manutenção de poder. 

Por mais que eu discorde de diversos atos ou atitudes da governadora de Pernambuco(PE), é lamentável essa situação horrível que foi exposta pelo representante do poder legislativo estadual de PE. 

Atualmente, há uma disputa da Lei de Diretrizes Orçamentárias entre o poder legislativo estadual e o executivo. Em uma declaração(petição inicial) apresentada em 26/01 ao STF, a governadora teme que ocorra um processo de impeachment. Ao tentar analisar essa situação, o que me parece é algo muito semelhante ao processo que a ex-presidente Dilma Rousseff passou em 2016. Sabemos que Raquel não tem um bom diálogo com a base nem com o legislativo.

Desde que Raquel assumiu a gestão, os meus posicionamentos sempre foi que ela iria sofrer com os problemas de machismo e coisas relacionados sobre isso. Ao falar sobre política, a questão de gênero está muito presente. Durante esse período de gestão, Pernambuco está cada vez mais afundando em diversos problemas. Contudo, cabe destacar que esses problemas que ainda persistem não surgiram nesta gestão. São nada mais do que heranças que são passadas de 4 em 4 anos, e não há alguém que realmente tenha coragem de resolver esses impasses, apenas promessas em épocas de eleição.

O que me parece é que estrategias estão sendo elaboradas para destituir a atual governadora, e cabe destacar que houve um deputado em uma declaração que afirmou que isso poderia ser uma possibilidade. Logo, isso sustenta a minha hipótese. Se chegar a esse ponto, é lamentável novamente uma mulher ser retirada do poder por homens. 

Ao expressar tudo que foi mencionado acima, estou ciente do caos em que PE se encontra, mas estou analisando no sentido da violência de gênero que ocorre. Tudo que eu queria, no presente momento, era estar nos bastidores para acompanhar essa situação. 

Currículo Lattes: por onde começar?

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